Luz Acesa (Zeppa) Quantos passos longe de ti Luz Acesa Outra estrada pra perseguir A minha certeza Sonho lindo que não tem fim Minha criação esbarra em você Quantas noites ja te segui Nas estrelas Nos mistérios do amor caí Me embolei na teia Mas ninguem conseguiu ferir Uma vida inteira Levo em você Além do que há em mim Enquanto as horas passam Também passarei Lembrando as coisas boas Que eu ja passei Tudo que eu quero é ser feliz Quantas noites ja te segui Nas estrelas Nos mistérios do amor cai Me embolei na teia Mas ninguem conseguiu ferir Uma vida inteira Levo em você Além do que há em mim Enquanto as horas passam Também passarei Lembrando as coisas boas Que eu ja passei Tudo que eu quero é ser feliz Tudo o que eu quero é ser feliz.. Dedicado à Luana Morena Prata
Escrito por Rafa Bouças às 00h56
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Amor e Paixão
Amor e paixão. Coisas diferentes? Sim, sem dúvidas, são. Andam sempre lado a lado? Não, nem sempre. Infelizmente... Quem sou eu para falar de amor e paixão. Será que já amei? Sim, falo do amor em relacionamentos. O bom e velho relacionamento homem<>mulher. Sem preconceitos, apenas quero dizer dos relacionamentos clássicos – caretas, como queiram – enfim, entre homem e mulher. Não quero dizer que homossexuais não se apaixonem, nem amem, claro que não. Ah, quer saber, vale pra todo mundo, pouco importa a orientação sexual, desde que o sentimento seja sincero e verdadeiro. Bom, voltando. Não quero fazer nenhum tipo de discurso ultrapassado, na verdade, nem queria entrar nas questões que envolvem esse tema. Tudo começou em um almoço na semana passada, com os casados comentando sobre os respectivos inícios de namoro, aquela paixão louca, que parecia interminável. E que provavelmente terminou no dia seguinte do casamento. Poxa, será verdade? Será que nunca voltaram a se apaixonar? Claro, pela mesma pessoa. Pela decisão, escolha, pelo casamento, que seja. Penso que o amor é uma constante. Talvez, um fim. E a paixão o meio, ou melhor, os meios. A paixão vai e vem. Sobe e desce. Equilibra e desequilibra. Por isso, creio que paixão sem amor não para em pé. Amor sem paixão, por sua vez, é insosso. Falta aquela medida exata de sal, talvez provida de uma gota de suor - ou de lágrima - durante o momento oportuno. A paixão alimenta, o amor nutre. Creio que são complementares e não suplementares. Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 10h37
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Alegria - texto de Fernand Alphen
Todo dia é dia de alegrias. Pequenas, tímidas, particulares. Tem a alegria de acordar. Abrir os olhos, levantar, esticar-se e dar aquele grunhido bem longo. E coçar a planta do pé, esfregar os olhos e bagunçar os cabelos. O cheiro da toalha seca, a água escorrendo, o xixi delicioso, a boca lavada. Quando Jim Musc despertou, não abriu logo os olhos. Farejou, tateou, arrepiou. Nada estava como antes. Mas o que era o antes? E o que era diferente? Finalmente ele abriu os olhos. Nem forma, nem cor, nem movimento. Só nada em cima, nada embaixo, nada dos lados. Ele levantou-se quando percebeu que já estava de pé. Então, deitou-se. Mas ele estava deitado. Também. Caminhou, e não saiu do lugar porque nada não tem referência. Lembrou-se dos outros, mas duvidou se eram, tinham sido ou haverão de ser. E tudo virou uma grande fumaça transparente. O redemoinho de memórias evaporou-se. Pôs se a pensar, mas o devir desfez-se diante da lógica e o que era não era mais. E aos poucos, Jim Musc esqueceu-se de Jim Musc. Perdeu-se. Sumiu. Jim tinha morrido durante o sono. Sem perceber. Sem caretas nem choro. Sem despedidas nem remorsos. Nem alegrias particulares nunca mais. (Fernand Alphen - blog)
Escrito por Rafa Bouças às 12h20
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“Você é algo assim, é tudo pra mim...”
Muitas coisas aconteceram este ano. Maravilhosas, preocupantes, alegres, angustiantes... Aconteceu de tudo. Lá no início, em janeiro, admito que não foi muito bom. Passei por um momento delicado e bastante difícil. Um certo ‘transtorno de ansiedade’, que me levou a ter alguns sintomas de depressão. E que sintomas. Estava diferente, o humor não era mais o mesmo, nem o ânimo. E você me conhece, né?! Na verdade, ainda temos muito a aprender um sobre o outro, mas nesse tempo de convívio já deu para perceber um pouco como somos, não é mesmo?! Bom, durante esse mau período, pude contar com o apoio da família e dos amigos, porém o, vamos dizer, ‘choque de realidade’ veio com uma notícia. A sua. A da sua chegada. E eu te amo desde que vi aquele risquinho vermelho. Com certeza não serei perfeito como gostaria de ser com você. O meu colo não será o mais alto, tampouco o mais confortável, mas ele sempre estará pronto para lhe receber. E te garanto que será um colo bastante seguro. Provavelmente, não serei como você imaginava. E, confesso, nem sempre vou dizer somente o que deseja escutar. Claro, não sei se vou ganhar seu coração, mas acredito que posso te fazer feliz. O ano passou, eu fui melhorando e você, enfim, chegou. Hoje estou mais do que bom. Tão bem como nunca estive em toda minha vida. Afinal, desde o dia 12 de novembro de 2009, sou 47 cm maior e 3,175 Kg mais forte! E vamos continuar crescendo. Juntos. Agora, meu desafio é outro: aproveitar essa fantástica oportunidade de ‘desaprender’ uma porção de coisas e aprender novamente com você. Os ensinamentos serão transmitidos por seus pais, sendo que me proponho a descobrir esse universo de novidades junto contigo. Sim, espero te ajudar tanto quanto você me ajudou. Mas não ouso querer ser tão importante quanto você é para mim. Seja bem-vinda e boa sorte. Obrigado. Tio Rafa Dedicado à Beatriz Alves Olivar. Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 16h21
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O poder pelo poder
Certa vez escrevi no twitter que é mais fácil entender o como do que o por quê. Na ocasião, me referia ao modelo de governo que estamos inseridos. Como e por quê viemos parar aqui. O ‘como’ até conseguimos algumas respostas, mas o ’por quê’ já é mais difícil. Agora, me diga por qual motivo nos aferramos a eles, os governos. O que nos motiva a isso? E o que motiva tais partidos (prefiro chamar os governos de partidos a partir de agora, ok?!) a desejarem o poder? Há os que acreditam que os partidos possuem o poder, porque antigamente as massas eram compostas de pessoas frágeis e covardes que não aguentariam a liberdade. Não conseguiriam encarar a verdade e precisariam ser governadas e iludidas sistematicamente por outros indivíduos mais fortes do que elas. E hoje, como são as pessoas? Fortes, seguras e corajosas? E você, como é? Será verdade que devemos optar pela liberdade ou felicidade? Se for, creio que a maioria da população prefere a felicidade. Correto? Sendo assim, o partido – querido e amado partido – é aquele disposto a sacrificar-se por nós. Seria o mal para que prevalecesse o bem. O responsável por planejar, controlar, dirigir e organizar as sociedades. Disposto a sacrificar a própria felicidade em benefício da felicidade dos demais. Mas o partido, na verdade, tem um propósito maior: o poder. Entendo (claro que não é uma verdade absoluta, trata-se apenas da minha opinião) que o partido deseja o poder exclusivamente em benefício próprio e acreditam que os seres humanos são incapazes de governarem suas próprias vidas. Não estão interessados no bem dos outros, somente no poder em si. Nem luxo, nem riqueza, nem felicidade: só o poder. O poder puro. O poder pelo poder. Sabemos – é claro que sabemos – que ninguém toma o poder com objetivo de abandoná-lo. Poder não é um meio, mas um fim. Alguém já viu um partido estabelecer uma ditadura para proteger uma revolução? Faz-se a revolução para instalar a ditadura, não é mesmo? Ok. Mas e agora? Seremos livres, felizes, revolucionários, cegos, obedientes, escravos ou poderosos? Uma boa semana, Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 14h32
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Breve tratado sobre a covardia e a mulher - por Rafa Cortez
Aproveito esse espaço para publicar um texto do jornalista Rafael Cortez
Vi agora o polêmico vídeo da aluna da UNIBAN – o que mostra uma centena de estudantes acuando e hostilizando uma jovem que foi assistir a uma aula em um campus da Universidade... vestindo uma roupa vermelha e curta. A histeria coletiva, a que tomou conta de tudo, como se bem vê nas imagens, falou mais alto. Começou motivada por um ou outro covarde preconceituoso e, como era de se esperar em atos covardes, encontrou na comodidade do anonimato de quem só tem força no meio da multidão, uma forma de se propagar estupidamente. As massas são cegas, já sabemos. É no meio da galera que se esconde o cara que joga uma pedra no outro dentro de um estádio de futebol lotado. Camuflados entre os comparsas, agem os mais fracos - os que intimidam só pq se apegam ao bando para serem homens de verdade. É na comodidade das milhares de pessoas virtuais anônimas, e acobertadas por outras do mesmo tipo, que molestam os pedófilos, atacam os inquisitores e “cagam-regra” os mais fracos; os bundões de verdade. Que as massas são cegas, nós já sabemos. A discussão agora é: até que ponto elas podem ser tão cruéis? O que mais me chamou a atenção no episódio da “aluna-puta” (como o caso já se tornou maldosamente conhecido - e só essa definição já dá pano pra manga!), foi o fato de tudo ter se passado no campus de uma Universidade que me recebeu tão bem, e com tanta alegria e carinho, ainda esse ano numa palestra. Fiquei impressionado ao perceber como uma mesma turma boa e receptiva pode ser agressiva e cruel. Como lógicas preconceituosas e machistas imperam nesse mundo, nesse país! Um ponto importante. Já chegaram a me questionar no Twitter hj, inclusive. Puxa, que coisa, não? Mas ela estava vestindo uma roupa vermelha curtinha; parecia uma puta. Bem, ela mereceu, não? O que é isso agora? As pessoas vão ser julgadas até qdo pelo que vestem? E, no mais, se essa garota – que nem conheço e jamais poderia julgar – for isso ou aquilo da vida, quem está em condições de ser juiz e dar um veredicto de intimidação e violência como aquele, compartilhado com todos no Youtube? O mais maluco para mim é: se isso tivesse ocorrido em qualquer outro lugar, já seria um tanto lamentável. Aliás, essa é uma daquelas coisas que achamos que só rola no Oriente Médio. Tem pinta de ser algo que estamos – infelizmente – nos acostumando a ler, em pleno século XXI, como parte do show de horrores a que estão sujeitas algumas mulheres: elas são violentadas, apedrejadas, mutiladas, espancadas e mortas por atos tidos como libidinosos e profanos... mas que não passam de deturpações patológicas de mentes machistas idiotas. O horror total é constatar que a bizarrice que está no Youtube aconteceu no campus de uma Universidade privada – justamente em um local onde, esperamos, as pessoas desenvolvam ainda mais o senso crítico, o sentido de justiça e o aprimoramento do caráter e dos melhores valores humanos. Violência contra a mulher. Machismo, julgamentos levianos. O homem que pratica qualquer uma dessas coisas é um babaca; um imbecil. Não merece um pingo de compreensão, um olhar de um cara de bem sequer. Como castigo, não merece nunca nenhuma mulher – e ficar sem mulher é o pior dos castigos! Caras bizarros que não sabem respeitar e amar uma mulher precisam de terapia intensiva e isolamento da sociedade. E ganham meu desprezo. Mas sentimentos e comportamentos nocivos ligados às mulheres, às vezes, não partem única e exclusivamente dos homens. No vídeo da moça da Uniban, notamos uma série de garotas puxando o coro de ofensas. Há depoimentos (que não posso dizer se são ou não verdadeiros, pois não apurei o caso) de jovens que juram que foram algumas mulheres que começaram a polemizar. O que quero dizer é que a violência e a maldade - de todo tipo - com a mulher deve, e urgentemente!, ser revista por todo mundo. Inclusive pelas mulheres. Lembro de ter visto uma coisa muito séria acontecer com uma amiga minha, anos atrás. Ela conseguiu um lugar que muita gente queria – eles e elas. Num local público, cheio de exposição, com todo mundo acompanhando. A Jú (nome fictício) fez a parte que lhe cabia; se empenhou e era competente. Como era de se esperar, foi bem criticada. Mas essa crítica se deu dessa maneira: dos homens à sua volta, ela recebeu questionamentos acerca da beleza e do talento. Das mulheres, recebeu os feedbacks mais duros e os piores xingamentos. Para elas, ela era uma puta, pois certamente teria dado para algum chefe. Só assim para estar ali. A pressão foi tanta que ela desistiu - mas desistiu mais por conta da pressão das mulheres do que por conta da pressão masculina. Sei a que são submetidas as mulheres na nossa sociedade. Sei da luta, competência, coragem e garra das nossas mães, namoradas, amigas e esposas. Acho a mulher a coisa mais linda do Universo. E é por isso que a amo tanto e sempre fui tão mulherengo. Não namoro muito até hj pq preferi conhecer mais e mais tipos de garotas; ter mais e mais contatos e aprendizados com elas. Sempre achei, e continuo achando, que se o Brasil tivesse uma mulher na Presidência, esse país iria ser uma potência e tanto! As mulheres, indiscutivelmente, trabalham melhor e pensam melhor. As mulheres, indiscutivelmente, são mais maduras e melhores do que os homens. Afinal, os homens não são regidos pela mente e por tudo que a cabeça assimila ao longo da vida. Os homens são regidos pelo pau. No entanto, em algumas coisas as mulheres são muito machistas. Ao competirem umas com as outras, podem ser mais sexistas do que nós. Entram em jogo guerras de vaidades, julgamentos e penas dolorosas. Na relação afetiva, muitas vezes, as mulheres conseguem ser bem machistas tbm. Tantas vezes lamentei (tímido para essas coisas, como sempre fui), que tudo no campo sentimental tivesse de partir de novo de mim, de mim e de mim! E quantas vezes ouvi de garotas, antes e depois de um primeiro beijo ou uma primeira transa, que a coisa só não tinha rolado antes pq eu não tinha tomado a iniciativa... e pq eu, como homem, sempre tenho de dar o primeiro passo? Pq, como homem, sou eu sempre que tenho que conquistar, convidar, ir atrás... e não ser tomado de assalto por uma mulher cheia de iniciativa? Do mesmo modo, pq o feminismo é tão acertivo em discutir a igualdade nos mercados de trabalho (algo que tem meu total apoio e nem questiono)... mas é tão retraído na hora de dividir uma conta no restaurante? Quando a fatura chega na mesa, o senso comum ainda pede que seja o homem o responsável pelo acerto do valor cobrado. O senso comum que, inclusive, é muito defendido pelas... mulheres! Antes que esse texto seja debatido com unhas e dentes por aqui - e antes mesmo que muitas mulheres se defendam, se ofendam, ou possam me acusar - quero reiterar uma coisa já escrita anteriormente: não estou contra vcs, mulheres. Reafirmo meu amor e minha solidariedade; minha devoção, idolatria, confiança e fidelidade. Sei tbm que nem tudo que disse aqui se aplica a todo mundo - quem me conhece sabe que não gosto de rotular e nunca acreditei no tal do senso-comum. Aqui vai uma dica: absorvam desse texto apenas o que lhes serve. E perguntem-se: quantas vezes vcs não pensaram em si mesmas como vítimas do sistema, ao mesmo tempo em que foram implacáveis - como as garotas cruéis da Uniban - ao associar uma outra mulher à figura de puta... só por esta ter usado um vestido curto e vermelho em um lugar público???
Um abraço! Rafa Cortez
Outro abraço, Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 22h11
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Como mãos sujas de graxa
Após dois anos de namoro, havia chegado o momento. Não haviam planejado aquilo, mas aconteceu. Agora, lá estavam no hospital. Ele, na sala de espera. Ela, na sala de cirurgia. Denise já tinha ouvido falar dele, porém o viu pela primeira vez quando caminhava, como fazia todas as manhãs antes de ir para o trabalho. Desde o primeiro dia que botou os olhos nele, nunca mais alterou o percurso de sua atividade física matinal. Ele era lindo, em sua concepção, e dono de olhos verdes que, segundo ela, iluminavam a avenida principal da cidade. Os dois foram nascidos e criados naquela pequena cidade, considerada uma microrregião, pertencente à mesorregião de Campinas. Considerando os, aproximadamente, 180 mil habitantes, pode-se dizer que Rogério é bastante popular. Provavelmente, devido a sua profissão: mecânico, e de mão cheia. Verdade que sua popularidade era mais acentuada em relação ao público feminino, por ser um galanteador, de mão cheia². Ao caminhar, os olhos dela não paravam de fitar aquele sujeito, que, por mais que tivesse fama de cafajeste, demonstrava uma integridade única, um caráter irretocável. Claro que estava enganada, ou melhor, apaixonada. Denise nunca tinha sido alvo do conquistador sujo de graxa, até o dia em que decidira ser. Agora, depois de dois anos, ela relembra essa decisão. Após ouvir Rogério, todo filme inicia em sua memória, mas imediatamente ela interrompe e encara a realidade. Vê o princípio de um novo volume do mesmo filme, ou quem sabe, um novo filme! Mas a única certeza é que não iria lhe permitir recordar de como fora parar ali. Não! Não importava o passado e sim o presente. Quanto ao futuro, somente a convicção de amamentar sua filha nas próximas horas. Durante a inesperada, porém bem aceita, gravidez de Denise, Rogério visivelmente havia mudado. Não era mais o mesmo. Afinal, quem ele era? E ela, quem era? Pouco mais de 14 meses juntos e era natural que ainda não se conhecessem totalmente. Ainda mais para encarar, com o mínimo de tranqüilidade necessária, um acontecimento tão sério. Embora a fama fosse dele, ela sabia que havia falhado, ou melhor, planejado uma falha. Sim, logo ela. Pobre mulher, apaixonada e ciumenta, vivia com o medo e a insegurança absurda de perder seu par para uma cliente qualquer. Cometeu o vacilo, o tão conhecido entre as mulheres desesperadas. Rogério, que vivia um primeiro ano de namoro como nunca antes, estava completo, feliz, satisfeito. Até o momento em que a desconfiança de Denise aumentara cada vez mais, saindo do controle. Estranhava as diversas vezes que sua namorada passava de carro em frente à sua mecânica. Eram voltas e voltas que Denise dava no quarteirão, quando avistava alguma cliente no estabelecimento do seu amado. Assim como um parafuso contra uma madeira, a cada volta mais que ela dava no quarteirão, pressionava Rogério. Apertava. Sufocava. Era claro que ela havia o conquistado por tudo o que fizera antes de conhecê-lo, assim como, no início do namoro e durantes todos os meses. Por outro lado, por suas próprias atitudes e comportamento, era inevitável que afastaria Rogério do seu amor e da sua vida. Como disse, inevitável. Eis que chega a hora: Júlia nasce com a pele clara da mãe e, embora não fosse possível ver seus olhos, Denise tinha convicção de que eram verdes, assim como os de Rogério. Apenas uma hora após o término da cesariana, somente os dois estão no quarto. Sentado em uma poltrona branca, Rogério sorri pacífico e fala encantado sobre a beleza de Júlia. Levanta, vai até a beirada da cama, apoia suas mãos limpas – livres daquela graxa que, na verdade, sempre fora repugnante para Denise – e diz: - Não preciso nem dizer que vou assumir a nossa filha, porém não iremos viver juntos. Não seremos uma família. Assustada com tal declaração, Denise apenas observa com os olhos arregalados. Rogério, após um instante olhando para o céu pela janela do quarto, continua: - Eu tenho outra pessoa. Já tem um tempo, confesso. Aconteceu. Não estava bem, já não era mais feliz com você. Sei que poderia ser uma fase, mas não pude evitar. Seu jeito possessivo me mata. Sua desconfiança me repugna, creio eu, assim como minhas mãos, quando sujas de graxa – sim, ele sabia de fato o que ela pensava sobre aquilo. Sem poder controlar seu emocional, totalmente desamparada, lágrimas brotavam a granel de seus olhos. - Quero dizer que teria feito isso muito antes. Só não fiz, por causa da gravidez. Pensando na saúde da nossa filha. Foi por ela que esperei até esse momento e não por você, Denise. Sem compaixão e inteiramente desorientado saiu do quarto, em busca de um banheiro ou algum canto daquele tranquilo corredor. Um tempo para se recompor, para poder voltar a respirar. Decidiu procurar refúgio em um bar de esquina. - Um café puro, por favor. Alguns metros do quarto de Denise, Rogério dava o primeiro gole em seu café, no momento em que a enfermeira entrava no quarto com Júlia nos braços. Júlia não queria saber o que houvera com os pais, pois sua fome era desmedida. Antes de dar o peito, Denise abraçou com uma força controlada sua filha e sentiu algo que jamais sentira. A pequena era capaz de lhe transmitir uma força descomunal. Denise bem que pensou que fosse o fim, que não resistiria a essa dura sentença e se entregaria. Porém, refletiu melhor a respeito e concluiu que não era hora para pensar em morrer, como havia lhe passado rapidamente pela cabeça. Morrer? Não... Não agora que seu coração batia por dois.
Escrito por Rafa Bouças às 12h27
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Benigna ou Maligna
- Namora comigo? - Não. Nesse momento, os olhos dele estavam fixados nos dela. Porém, os olhos dela não eram tão fixos assim, mas isso não vem ao caso. Disse:
- Namora comigo. - Não daríamos certo juntos. Imagina?! Pensa... Por mais estranho que possa parecer, eles não tinham um caso. Tiveram. Há anos. Mas ele não queria perder a oportunidade daquele reencontro, por isso a declaração – provavelmente a mais sincera que fizera na vida – seguida do pedido. Ela poderia não aceitar o pedido de namoro. No entanto, nas próximas horas estaria nos braços dele. Novamente, ele. Novamente, os dois. Sim, optaram pelo mesmo lugar de anos atrás. Aquele ambiente, vez em quando até escuro demais, coeso e propício para desejarem, tocarem, beijarem um ao outro. E assim, o fizeram. Assim como no passado... Ele estava tomado por aquela beleza latina, encantado por aquela mulher inteligente, sagaz e que um dia fora sua. Não, nunca fora. Ele mesmo jamais permitiu que fosse. Agora, novos tempos, aí está, frente à mesma mulher. Perdido, cego, sem saber o que fazer para reconquistá-la. Bem feito! Ao contrário, ela estava calma, sensata como sempre e dedicada apenas ao sagrado ritual etílico. Ela o acompanhou em todos os copos, o que o deixou impressionado. Nunca havia presenciado ela beber daquele jeito. O motivo era claro: ela bebia para ter coragem ou para não se lembrar de nada no dia seguinte. Ou ainda, quem sabe, para as duas coisas. No meio de tantas pessoas, os dois se destacavam. Aquele ritmo que adoravam, a sensualidade daquela dança. Dançavam como nos velhos tempos e se beijavam como se fosse o fim dos tempos. Decidiram ir para um lugar mais tranquilo...
De repente, ela simplesmente não quis continuar. Não me pergunte o motivo, apenas não quis. Alegou:
- Vai ficar muito na cara. Acho que é muita exposição. Sei lá... Não acha?
- Olha... Não penso dessa forma.
- É que no nosso caso, acho tão explícito. Acho que todos vão ver e saber. Na verdade, ter certeza. Todos sabem da gente... De um dia... De outrora...
Haveria outra opção a não ser concordar? Não. Talvez, neste instante, ele entendeu o ‘não’ dela de tantas outras ocasiões. Parecia que ela queria esconder o que havia acontecido das outras pessoas. Assim como ele entendeu o motivo pelo qual havia bebido tanto: ela queria esconder o ocorrido dela mesma. Não se lembrar de absolutamente nada, se fosse possível.
A confusão era grande para ela, pobre mulher. Tudo poderia ser aceitável, pelo o que já haviam vivido. Como tudo poderia ser inadmissível, justamente pelo o que já haviam vivido... Sim, ele não poderia deixar de concordar com o ponto de vista dela, mas o último diálogo foi feito:
- Posso te procurar? Caso não queira, é só falar.
- Ah, não... Quanto a isso, sem problemas! – respondeu sorrindo timidamente.
Era verdade, ela queria que um novo contato fosse feito. Só não sabia quando e nem se estaria preparada. Ele, então, coitado. Mal sabia o caminho de casa para levar junto essa incógnita. Todavia, carregava também a certeza de que ela realmente jamais seria sua, nem que ambos quisessem. No ápice do efeito de tudo que havia bebido e de sua solitude, chegou a uma conclusão estúpida, porém engraçada. Que, sem dúvida alguma, aquele beijo era de Câncer: lindo como tal constelação; fazia com que ele andasse para trás, assim como os carangueijos; e fatal como a neoplasia. Essa por sua vez, ainda irá descobrir se benigna ou maligna.
Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 21h12
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Feriado de um solteiro
Olha, não ter ninguém é difícil. Alguns momentos a gente aproveita e tal, mas não ter ninguém, ainda mais em um feriado chuvoso, é difícil. Talvez, só penso nisso por, de fato, o feriado ser chuvoso. Não, claro que não! Todos sabem o quão romântico sou e a vontade que tenho em encontrar alguém para a vida toda. Embora, quando tenho alguém ao meu lado, creio fielmente não ter nascido para a vida em par. Pois é, vai entender. Começo a acreditar no sincero depoimento de uma amiga, que me disse: “Você é 8 ou 80”. Na hora, foi fácil argumentar, afinal esse papo de ‘8 ou 80’ é pra lá de manjado, quando queremos descrever algum tipo de instabilidade – para não falar desequilíbrio – em alguma pessoa. Porém, outra pessoa [me nego a dizer quem foi] até fez uma analogia sobre minhas atitudes em relação aos meus relacionamentos: ”Filho, o problema é que você dá o céu, depois, simplesmente, tira o chão”. É, assim tá fácil. Solteiro e duramente criticado. Mas deixa isso pra lá! Eu quero falar de ter alguém. Do prazer que é (ainda mais em um feriado chuvoso, é óbvio). Olha, sinceramente, ficar sem sexo, tudo bem... Mas ficar sem beijar na boca, é complicado. A maior entrega, na minha opinião. Ou invasão, como queira. Enfim, uma intimidade e tanto. Pena que o beijo foi, vamos dizer, vulgarizado. Vulgar, no sentido de tornar popular, por ao alcance de todos. Afinal, não é desse beijo que falo, perdido em qualquer bar paulistano, paulista, brasileiro, ou além das fronteiras. Falo do beijo de casal. Sim, aquele que permite brincadeiras, aquele que diz com os lábios por si só, sem a necessidade de exprimir palavras. Gostei dessa definição: beijo de casal! Sendo assim, fica a dica para os que possuem alguém. Pois, ainda é feriado e ainda chove em São Paulo. Bom divertimento... Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 15h31
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Esquerda e direita
O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de código genéticos, e portanto são iguais – ponto para a esquerda –, mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita, se bem que não necessariamente para os racistas. Na velha questão biológica x cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa – muito menos – socialista com o tempo. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que se tornou possível com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o auto-aperfeiçoamento. Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora devem tratar de mudá-lo. Biologia não é, afinal, destino. Ao mesmo tempo a eugenia é uma ciência com má reputação. Seu apogeu anterior foi nos experimentos nazistas durante a guerra, e o significado de “aperfeiçoamento” é uma questão aberta. Uma pessoa “melhora” tornando-se mais bem preparada, pela aparência, a capacidade física e o espírito empreendedor, para as competições da vida ou mais tolerante com a variedade humana? A indefinição ideológica dos nossos genes é apenas mais um numa longa lista de paradoxos que nos dividem. É “de esquerda” ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e ao mesmo tempo o direito do Estado de tirá-la, embora não gostem que o Estado interfira em outras áreas. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração, mas aceita a desigualdade social, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um estado impessoal ou a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um humanismo igualitário. Et Cetera, et Cetera. E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenados a ser contraditórios de uma maneira ou de outra, para sempre. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão. Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética, mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações. Luis Fernando Verissimo
Escrito por Rafa Bouças às 19h21
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Orgulho
Consultando – o que deveria ser o melhor amigo de todos, que muitas vezes fica esquecido nas estantes de nossas casas – o popularmente conhecido como ‘pai dos burros’, verifiquei o significado da palavra orgulho. Um sentido para cada situação, praticamente. Desde soberba a brio. Mas o orgulho sobre qual falo é o de melhor sentido da palavra. Da mais pura manifestação do alto apreço que se possa ter por alguém. Sim, você é um orgulho e tanto para mim. Parabéns! Dedicado à Mayara Alves | Repórter de Beleza | GLOSS


Escrito por Rafa Bouças às 13h41
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Você bebe socialmente?
Acho que as únicas respostas cabíveis quando te perguntam se você bebe, seriam sim ou não. Né? Esse socialmente me dá uma ideia tão superficial. Tão superficial, aliás, como qualquer atitude que as pessoas tomem, somente para agradar, quando estão com os outros. Um professor meu comentou esses dias na aula a necessidade de aceitação das pessoas. “Decifra-me ou te devoro” devia ser eleito o lema oficial dos círculos socias. Esse negócio de beber socialmente é um ótimo exemplo. As pessoas bebem pra que? Pra se enturmar, pra fazer pose… PRA QUE? Se você não bebe, não é porque está num lugar com gente bebendo que vai tomar uma taça de vinho para acompanhar. Se fosse assim, teríamos inúmeras situações semelhantes. Há quem fume socialmente. Quem dê risada socialmente. Quem ature a sogra socialmente. Quem tente ser social socialmente! Bom, eu bebo. E pra caramba. por Luiza Dias Vieira
Escrito por Rafa Bouças às 21h01
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Ataque
Penso que notamos que ficamos velhos quando aqueles – também velhos – conselhos e jargões de nossas mães começam a fazer sentido, demonstrando uma verdade assustadora. Essa sensação me ocorreu ha menos de 24 horas, na frente de casa, dentro do carro dela. Sim, ela, a tão famosa nesse blog. Conversávamos sobre o dia, a semana, as novidades. Mas eu, esperto que sou, decidi partir para o ataque. Um ataque de amor, claro. Ataque esse que parecia simples há poucos anos. Às vezes, ainda é, mas não com ela. Lembro-me do primeiro sábio jargão de todas as mamães: ‘quando um não quer, dois não fazem’. Ok, ela não queria ser atacada. Porém, muito, mas muito esperto que sou, achei que era charme dela e continuei o ataque, com as minhas táticas infalíveis. Bom, pelo menos até o momento eram sim infalíveis. Entre beliscos, apertões, cócegas e tentativas frustradas, ela acabou deitada no meu colo, entre meus braços. Pensei comigo que havia chegado o grande momento. Que nada! O grande momento veio não muito tempo depois, quando ao tentar defender-se do meu poderoso ataque, ela acabou me atacando. Eu sei que foi sem querer, mas não pude evitar o baque do golpe. Um ataque preciso, com as suas poderosas garras. Está bem, não vou exagerar, foi só um arranhão. Porém, suficiente para me levar à lona. Se alguma mãe tivesse presenciado a cena, com certeza diria: ‘brincadeira de mão não acaba bem’. Enfim, sem dúvida, a noite havia terminado. Pelo menos pra mim. Parece que ela ainda iria a uma festa e se realmente foi, aposto que foi orgulhosa pelo o que fez. Duvido que não tenha contado tal crueldade sequer para uma amiga. Estou exagerando outra vez, confesso. Mas veja se não é um caso absurdo que mereça uma leve pitada de drama. Tudo estava tão bem entre a gente, tão gostoso, calmo e tranquilo. E simplesmente, do nada, em poucos minutos de conversa, tudo foi para o chão – para não dizer para o lixo. Nos instantes seguintes, já não cabia mais nada, exceto a amarga despedida. Pronto, acabou o drama demasiado! Afinal, eu que ocasionei tudo isso, então não posso ficar reclamando. Aconteceu, oras. Pois bem, ‘a mamãe lhe disse’. Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 18h04
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Ser Contínuo
Assim como a maioria dos garotos, comecei a trabalhar de verdade – com carteira assinada, vale refeição, vale transporte e tudo que se tem direito – como Contínuo. Cargo conhecido popularmente como Office-boy. Tinha lá meus dezessete anos, com todo gás e paciência necessários para enfrentar a parte ruim desse ofício: filas em bancos; secretárias chatas; andar o dia todo; etc. Em contrapartida, há os benefícios de tal rotina, por exemplo: conhecer os mais diversos lugares, ainda mais em uma cidade gigante como São Paulo; conviver com algumas secretárias maravilhosas; não ficar enclausurado no escritório; e por aí vai. Como pré-requisito, é preciso ter certa malandragem. Então, faz parte do dia-a-dia cultivar amizades com outros colegas de profissão nas filas dos bancos. Sendo que depois de algum tempo de amizade, cada contínuo vai para um banco com o malote dos demais. É uma maravilha! Que as secretárias nunca descubram isso. Assim como não descubram as olhadinhas que todo ‘Boy’ dá quando elas saem de seus respectivos lugares para ir seja na mesa dos diretores, ao banheiro, para que lugar for. Nós sempre estamos atentos, é fato. Afinal, atenção é indispensável: troco, itinerários, tempo, localização, suspeitos ao redor, vocabulário, entre outras coisas. O salário não é lá essas coisas, mas o valor está no aprendizado. Assim como qualquer outra oportunidade, o aprendizado vai de acordo com o interesse de cada um. Eu tinha interesse pelo que fazia, gostava das minhas tarefas e reconhecia meu papel dentro da empresa, bem como as minhas responsabilidades. E dificilmente falhava. Pude aprender, com pessoas incríveis, como ser, de fato, um profissional diferenciado. Por ser um bom Contínuo, obtive promoções, reconhecimentos, novas oportunidades, enfim. Hoje sou Gerente de Projetos, mas dei continuidade em algumas coisas da época de Contínuo, principalmente no que diz respeito ao comprometimento com a sua função, independentemente de qual seja, e o respeito pelas pessoas. Na verdade, isso deveria ser básico, itens obrigatórios nas pessoas, porém, não é o que acontece na prática, no dia-a-dia do ambiente corporativo. Pode até ser coincidência, mas os casos desagradáveis que testemunhei partiram de profissionais que iniciaram suas carreiras em níveis diferentes, como por exemplo: os Trainees. Nada contra esses profissionais, mas das dezenas que conheci, talvez com dois fosse possível estabelecer um diálogo construtivo e interessante. Porém, faço justiça e deixo claro que esse privilégio de ser fútil, em alguns momentos até babaca, não se restringe apenas à maioria dos Trainees. Infelizmente, não. Talvez seja característica de todos que um dia foram dessa estirpe, quem sabe. É verdade, que muito me incomoda a postura da grande e avassaladora maioria, que ignora as premissas básicas de boa conduta e educação. Exceto quando se reportam a partir de um específico nível hierárquico, já reparou nisso? Lamentável, não é mesmo? Mas é o que acontece na prática. Será que o respeito, tratamento adequado e até mesmo a admiração, só existem quando há algum interesse por trás? Não, não quero crer nisso. No entanto, caso isso se confirme em um dado momento, aproveito para dar uma dica – espero que não seja tarde demais – que julgo ser muito valiosa. Sim, uma dica desse Gerente de Projetos que um dia foi Contínuo, que começou do zero e que por pouco – muito pouco – não se tornou mais um desses ilustres babacas corporativos, graças a esse sábio conselho. Quanto à admiração, mais do que executivos bem sucedidos e celebridades, sugiro que você admire o padeiro que levanta de madrugada, a semana inteira, para que você possa se servir de um alimento para iniciar o seu dia; o lixeiro que não tarda, nem tampouco falha, com a sua obrigação e permite que nos livremos do próprio lixo que produzimos; e, principalmente, seus pais, por tudo que fizeram, fazem e que são capazes de fazer por você e seus irmãos, caso os tenha. E sabe por quê? Porque todos eles – seus pais, o lixeiro, o padeiro, entre tantos outros profissionais – amam o que fazem, o que criam. Sentem-se responsáveis – de fato são – e enxergam a sua grande e ímpar importância na sociedade. Além do respeito que exercem pelo próximo, respeitam a si mesmos. Bom, acho que depois disso, não precisa acrescentar mais nada. Rafa Bouças
Escrito por Rafa Bouças às 18h21
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"Os tais 140 caracter reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido." José Saramago
Escrito por Rafa Bouças às 16h36
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Questões, momentos e porquês. Será o Benedicto?! Palavras minhas, palavras suas. Porque depois de soltas, elas são nossas.
- por Mayara Alves



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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 20 a 25 anos
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